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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Gordura atrai gordura

Gordura atrai gordura

19/2/2009

Por Carlos Fioravanti

Revista Pesquisa FAPESP – Quem aprecia uma picanha malpassada e principalmente a camada branca de gordura que a envolve talvez se inquiete. Um tipo de gordura – os ácidos graxos saturados de cadeia longa, encontrados principalmente em carnes vermelhas – pode ser uma das causas da obesidade.

De acordo com experimentos realizados em camundongos, essas moléculas acionam uma inflamação no hipotálamo, na base do cérebro, que leva à destruição dos neurônios que controlam o apetite e a queima de calorias.

“Talvez tenhamos encontrado uma explicação para a dificuldade de as pessoas obesas controlarem a fome e perderem peso, mesmo que adotem dietas severas para emagrecer”, diz Lício Velloso, pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que coordenou esse estudo, publicado em janeiro no Journal of Neuroscience.

Os estudos anteriores da equipe de Velloso e de outros grupos já haviam mostrado que a obesidade era uma doença que começava no cérebro ou nos músculos, induzida por dietas com excesso de açúcares ou de gorduras. Esse excesso gerava resistência ao hormônio insulina, que carrega a glicose para as células, onde é transformada em energia, e induz ao consumo contínuo de alimentos.

Testes com animais já haviam mostrado que dietas ricas em gordura em geral danificavam o hipotálamo mais intensamente que as ricas em açúcares. Para ver qual tipo de gordura era mais danoso, os pesquisadores da Unicamp injetaram diferentes tipos de ácidos graxos de origem animal ou vegetal no hipotálamo de camundongos.

Os encontrados no óleo de soja mostraram um efeito tênue sobre o cérebro, enquanto os encontrados em gorduras animais e em proporção menor no óleo de amendoim apresentaram ação mais danosa.

Clique aqui para ler o texto completo na edição 156 de Pesquisa FAPESP.

domingo, 6 de abril de 2008

Como se deve avaliar a deficiência de vitamina B12?

Via Nutritotal

A deficiência de vitamina B12 (cobalamina ou cianocobalamina) pode ocorrer devido a baixa ingestão dessa vitamina ou devido absorção deficiente. A vitamina está presente em alimentos de origem animal (como carnes, leite e ovos). Portanto, vegetarianos estritos (veganos, que não ingerem nem leite ou laticínios, nem ovos, nem carne) não obtêm B12 da dieta.
A deficiência de B12 ocasiona prejuízo na divisão celular, especialmente nas células de rápida divisão, como as da medula óssea e da mucosa intestinal, interrompendo a síntese de DNA (ácido desoxirribonucléico), dentre outros. A diminuição da taxa mitótica resulta em células anormalmente grandes, levando a uma anemia característica, a anemia megaloblástica. As manifestações clínicas são alterações neurológicas, hematológicas, epidérmicas, fraqueza, e outras. Por isso, o diagnóstico precoce da deficiência de vitamina B12 é fundamental para evitar danos patológicos irreversíveis. Entretanto, a deficiência de ácido fólico também resulta na anemia megaloblástica, dificultando o diagnóstico de qual deficiência vitamínica seria a responsável por essa anemia.

Uma das maneiras mais comuns de examinar a deficiência de vitamina B12, além da avaliação de sintomas, é a medida da concentração dessa vitamina no plasma ou no soro, refletindo os níveis de ingestão e estoque. A deficiência fica evidente quando os níveis estão abaixo de 200 pg/ml ou 148 pmol/l para adultos, mas podem variar de acordo com a metodologia de análise utilizada nos laboratórios. Porém, esse não é um teste seguro, pois sofre influência direta das concentrações de proteínas que estão ligadas à vitamina B12, não fornecendo a concentração real da vitamina disponível para a célula. Por isso, os níveis de B12 podem ser normais mesmo em pacientes com deficiência desta vitamina.

Outros métodos que facilitam a identificação da deficiência da B12 são as dosagens de ácido metilmalônico (MMA) e homocisteína. O ácido metilmalônico apresenta sua concentração aumentada (0,4 micromol/l no soro) na presença da deficiência de vitamina B12. A dosagem é feita na urina, soro ou plasma. É necessário atentar para algumas situações clínicas que também favorecem a elevação do MMA, como é o caso de pacientes com insuficiência renal, gestantes, doenças da tireóide e o aumento intestinal de bactérias produtoras de ácido propiônico (precursor do MMA). Apesar de exigir equipamento específico para sua análise, tornando sua aplicação na prática clínica de alto custo, esse exame tem a vantagem de ser um diferencial para a detecção da deficiência da vitamina B12, já que a deficiência de folato não altera essa dosagem.
A concentração sérica total de homocisteína está elevada tanto na deficiência de vitamina B12 quanto na de folato. Também é um método de alto custo. A insuficiência renal, a deficiência de cistationina sintase e os erros inatos do metabolismo também aumentam sua dosagem. Por isso, esse método tem baixa especificidade.

Portanto, não há um método padrão-ouro para detectar a deficiência de vitamina B12. É necessária cautela na aplicação das diferentes dosagens e uma associação entre elas.

Bibliografia (s)

Paniz C, Grotto D, Schmitt GC, Valentini J, Schott KL, Pomblum VJ, et al. Fisiopatologia da deficiência de vitamina B12 e seu diagnóstico laboratorial. J Bras Patol Med Lab 2005;41(5):323-34. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/jbpml/v41n5/a07v41n5.pdf. Acessado em 20/07/07.

The National Avademy Press. Dietary Reference Intakes for Thiamin, Riboflavin, Niacin, Vitamin B6, Folate, Vitamin B12, Pantothenic Acid, Biotin, and Choline (1998). Institute of Medicine (IOM). Disponível em:
http://fermat.nap.edu/books/0309065542/html/312.html. Acessado em 20/07/07.

Ácido metilmalônico é o mais sensível marcador de deficiência de vitamina B12. Disponível em: http://www.fleury.com.br/site/calandra.nsf/0/6BB731D57B8E3A5903256FA4005E25E7?opendocument&pub=T&proj=site_fleury&gen=dg_fleurycom. Acessado em 20/07/07.

Carmel R, Green R, Rosenblatt DS, Watkins D. Update on cobalamin, folate, and homocysteine. Hematology (Am Soc Hematol Educ Program). 2003;:62-81. Disponível em: http://www.asheducationbook.org/cgi/reprint/2003/1/62. Acessado em 20/07/07.

Laura YCG, Augusto CAM, Vicente OF, Flávio ACV. Anemias carenciais na infância. Pediatria (São Paulo). 1998;20(2):112-125. Disponível em: http://pediatriasaopaulo.usp.br/upload/pdf/364.pdf. Acessado em 20/07/07.

Klee GG. Cobalamin and folate evaluation: measurement of methylmalonic acid and
homocysteine vs vitamin B(12) and folate. Clin Chem. 2000;46(8 Pt 2):1277-83. Disponível em: http://www.clinchem.org/cgi/reprint/46/8/1277. Acessado em 20/07/07.

Guia Vegano. Quais são os exames laboratoriais que podemos utilizar? Disponível em:
http://www.guiavegano.com/nutricao/b12/b1234.html. Acessado em 20/07/07.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Dieta vegan protege pessoas com artrite, diz estudo

Publicada em 18/03/2008 às 12h06m
BBC

Uma pesquisa de um instituto sueco sugere que as pessoas que sofrem de artrite reumatóide podem reduzir o risco de ataques cardíacos e derrames se seguirem uma dieta vegan - nome dado à dieta vegetariana radical, em que não há consumo de carne, leite e seus derivados - e sem glúten.

Ataques cardíacos e derrames estão entre as principais causas de morte de pacientes que sofrem de artrite reumatóide, pois a inflamação causada pela doença tem impacto nas artérias.
"Uma dieta vegan pode ajudar na redução do colesterol, mas é difícil conseguiu alguns dos nutrientes importantes seguindo esta dieta


Mas, segundo pesquisadores do Instituto Karolinska, de Estocolmo, Suécia, o risco pode diminuir por meio de uma dieta sem produtos animais e sem o glúten, que pode ser encontrado no trigo, aveia, centeio e cevada.

O estudo, publicado na revista Arthritis Research and Therapy, afirma que aqueles que seguem esta dieta têm menos mau colesterol.

O mau colesterol é visto como o fator mais importante em problemas do coração, pois obstrui as artérias.
Dietas

Os pesquisadores do Instituto Karolinska colocaram 38 voluntários que sofriam de artrite reumatóide em uma dieta diária composta por 10% de proteína, 60% de carboidratos e 30% de gordura.

A dieta incluía nozes, sementes de girassol, frutas e vegetais e cereais. O leite de gergelim fornecia a fonte diária de cálcio.

Outros 29 voluntários seguiram uma dieta saudável com aproximadamente as mesmas proporções de proteínas, carboidratos e gordura.

Gorduras saturadas não compreendiam mais do que 10% do consumo diário de energia e produtos integrais foram usados o máximo possível.

Os voluntários na primeira dieta, a vegan, mostraram uma diminuição no nível total de colesterol e, especificamente, uma redução na quantidade de lipoproteína de baixa densidade (LDL), conhecido como o mau colesterol.

Os que estavam na dieta comum não mostraram variações significativas nos níveis de colesterol.

Segundo os pesquisadores, existe uma "grande quantidade de provas" que sugerem que estas mudanças foram benéficas para evitar o bloqueio das artérias e as doenças cardiovasculares.

Massa corporal

Depois de 12 meses, os voluntários que seguiram a dieta vegan também apresentaram redução do Índice de Massa Corporal. O grupo de controle permaneceu com o mesmo índice.

Mas, a organização de caridade britânica especializada em artrite reumatóide, Arthritis Research Campaign, alertou para possíveis perigos da dieta vegan.

"Uma dieta vegan pode ajudar na redução do colesterol, mas é difícil conseguiu alguns dos nutrientes importantes seguindo esta dieta", afirmou uma porta-voz da entidade.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Pesquisa da Universidade de Cornell sobre uma dieta Eco-eficiente

Diet for small planet may be most efficient if it includes dairy and a little meat, Cornell researchers report
By Susan Lang for Cornell Chronicle

A low-fat vegetarian diet is very efficient in terms of how much land is needed to support it. But adding some dairy products and a limited amount of meat may actually increase this efficiency, Cornell researchers suggest.

Illustration by Steve Rokitka/University Communications
Even though a moderate-fat plant-based diet with a little meat and dairy (red footprint) uses more land than the all-vegetarian diet (far left footprint), it feeds more people (is more efficient) because it uses more pasture land, which is widely available.

This deduction stems from the findings of their new study, which concludes that if everyone in New York state followed a low-fat vegetarian diet, the state could directly support almost 50 percent more people, or about 32 percent of its population, agriculturally. With today's high-meat, high-dairy diet, the state is able to support directly only 22 percent of its population, say the researchers.

The study, published in the journal Renewable Agriculture and Food Systems, is the first to examine the land requirements of complete diets. The researchers compared 42 diets with the same number of calories and a core of grains, fruits, vegetables and dairy products (using only foods that can be produced in New York state), but with varying amounts of meat (from none to 13.4 ounces daily) and fat (from 20 to 45 percent of calories) to determine each diet's "agricultural land footprint."

They found a fivefold difference between the two extremes.

"A person following a low-fat vegetarian diet, for example, will need less than half (0.44) an acre per person per year to produce their food," said Christian Peters, M.S. '02, Ph.D. '07, a Cornell postdoctoral associate in crop and soil sciences and lead author of the research. "A high-fat diet with a lot of meat, on the other hand, needs 2.11 acres."

"Surprisingly, however, a vegetarian diet is not necessarily the most efficient in terms of land use," said Peters.

The reason is that fruits, vegetables and grains must be grown on high-quality cropland, he explained. Meat and dairy products from ruminant animals are supported by lower quality, but more widely available, land that can support pasture and hay. A large pool of such land is available in New York state because for sustainable use, most farmland requires a crop rotation with such perennial crops as pasture and hay.

Thus, although vegetarian diets in New York state may require less land per person, they use more high-valued land. "It appears that while meat increases land-use requirements, diets including modest amounts of meat can feed more people than some higher fat vegetarian diets," said Peters.

"The key to conserving land and other resources with our diets is to limit the amount of meat we eat and for farmers to rely more on grazing and forages to feed their livestock," said Jennifer Wilkins, senior extension associate in nutritional sciences who specializes in the connection between local food systems and health and co-authored the study with Gary Fick, Cornell professor of crop and soil sciences. "Consumers need to be aware that foods differ not only in their nutrient content but in the amount of resources required to produce, process, package and transport them."

According to the U.S. Department of Agriculture, the average American ate approximately 5.8 ounces of meat and eggs a day in 2005.

"In order to reach the efficiency in land use of moderate-fat, vegetarian diets, our study suggests that New Yorkers would need to limit their annual meat and egg intake to about 2 cooked ounces a day," Peters said.

The research was supported in part by the National Research Initiative of the USDA Cooperative State Research, Education and Extension Service.